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Copasa admite rever perfurações de poços em São Thomé das Letras

Empresa considera alternativas para extração de água após preocupações com impacto em cachoeiras e nascentes na região do Cantagalo.

Copasa admite rever perfurações de poços em São Thomé das Letras

A Copasa admitiu rever as perfurações de poços para o abastecimento em São Thomé das Letras, Minas Gerais. A decisão ocorre após uma audiência pública da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), realizada em 5 de março de 2026, que debateu a insegurança hídrica no município. Moradores e ambientalistas apontaram a influência da captação de água no Ribeirão Cantagalo pela Copasa, além da mineração, na redução do volume de cachoeiras e nascentes.

Impacto no abastecimento e turismo

Segundo Rafael de Tomy, da Associação Socioambiental Água é Vida, o abastecimento de água tem falhado nos últimos anos, com o problema se agravando no último verão. Ele relatou que a falta d'água chegou a durar cinco dias, impactando o turismo, principal atividade econômica da cidade, e o dia a dia da população local. O sistema, projetado para atender cerca de 9 mil pessoas, recebe aproximadamente 30 mil visitantes em períodos de pico, como feriados, intensificando a sobrecarga.

A Copasa solicitou autorização para perfurar quatro poços na região do Cantagalo para estudos, visando contornar a situação e estabilizar o fornecimento. Um desses poços foi executado ao lado da captação superficial existente. No entanto, após a perfuração do primeiro poço, moradores interromperam o avanço das obras, resultando na paralisação temporária das atividades.

Preocupações da comunidade

Rafael de Tomy afirmou que a comunidade se uniu contra a perfuração de poços no local, preocupada com o possível rebaixamento do nível do Ribeirão Cantagalo e das cachoeiras da região. O ambientalista também atribuiu à mineração em pedreiras a diminuição da área de mata e a degradação de locais importantes para a recarga do lençol freático.

Andressa de Oliveira, moradora do Bairro Cantagalo, questionou a prudência de aumentar a pressão na mesma fonte de captação, destacando que o turismo da cidade depende das cachoeiras. A presidente da Associação Água é Vida, Ana Maria Sigaud, apontou o crescimento desordenado do turismo como um fator que está “estrangulando” as nascentes.

Representantes da Copasa negaram relação da empresa com o desabastecimento, mas se comprometeram a estudar alternativas para a extração hídrica em outras localidades.

Fontes